Livro Completo
A Peregrinação - Parte III


13 de maio - 2 de julho

Meu Deus! Quando eu repousei ali a primeira vez eu nem notei a flecha e nem tomei conhecimento que eu estava, sem saber, em pleno Caminho de Santiago - o que, claro , é compreensível. Antes que eu fosse peregrina eu podia ver uma flecha amarela pintada sobre uma árvore ou uma pedra, e aquilo não significava absolutamente nada para mim. No entanto, sendo peregrina a flecha se torna muito importante, a flecha me guia, me ajuda a não me perder. A flecha me indica que estou no caminho certo, ela é o presente deixado por outros peregrinos que tiveram que fazer o Caminho sem a ajuda das flechas.

E de repente me parece muito claro que não foi acaso eu repousar justamente sob esta árvore. Eu já estava no Caminho antes mesmo de saber que eu estava nele! Surge em mim uma sensação muito clara, embora pareça estranha ao pensamento racional. Sinto que não somente eu quis vir ao Caminho como também o próprio Caminho me chamou para vir até ele. Tenho a nítida impressão que já havia tido em outras ocasiões, que, de alguma maneira, algo silencioso se comunica comigo. Geralmente, quando isto acontece tenho a tendência a achar que é bobagem e a querer esquecer em seguida, e suponho que o mesmo deve acontecer com todo mundo. Recebemos "sinais" que se comunicam com nossas sensações em códigos indecifráveis para os rígidos parâmetros racionais. Sendo estes "sinais" inconcebíveis para o sistema racional com o qual fomos educados, simplesmente não os VEMOS.

Fico feliz de ter tido a oportunidade de passar por aqui novamente. Feliz por que, neste momento, eu estava sozinha e suficientemente atenta para poder vivenciar isto. Creio que é uma boa decisão a de não me apegar demais nem a grupos nem a pessoas durante o Caminho, assim poderei conhecer diferentes pessoas e poderei também estar sozinha de vez em quando para me conhecer melhor.

Resolvo me sentar novamente sob a árvore como o fiz da primeira vez. Me sinto emocionada e, como da primeira vez, choro. Só que desta vez não é um choro de medo e tristeza, desta vez é um choro de gratidão. A Vida me permitiu voltar a este lugar e agradecer a esta árvore o bem que ela me fez. Por mais sozinha que eu me sinta, às vezes em minha vida, nunca estou de fato sozinha.

Num momento de desconforto esta árvore me ofereceu sombra e consolo sem me pedir nada em troca. Tenho que sorrir por que penso: "As árvores também amam! Só quem sabe amar é capaz de dar sem esperar receber... E só quem sabe amar não tem vergonha de receber amor."

Ao sair de Pamplona começo a me dar conta que perdi a oportunidade de me liberar do peso excessivo de minha mochila. Todos os peregrinos que encontro me dizem que estão mandando o peso excessivo por correio, de volta para casa. E eu passei por um correio ao sair da cidade! Agora é tarde demais...

Vou subindo sozinha uma das tantas fortes subidas do Caminho. Pela primeira vez sinto a mochila pesadíssima. Meus ombros doem. O suor escorre desagradavelmente pelas minhas costas. Por que será que não mandei o peso por correio?

Me passa pela cabeça que, da mesma forma que não me ocorreu pedir dinheiro às pessoas que amo para fazer o Caminho, também não me agrada enviar coisas de volta para casa. Há em mim, desde que comecei o Caminho, uma intrínseca vontade de me desligar, durante a peregrinação, de todos os laços com a minha vida de sempre. É quase uma necessidade. Quero descobrir quem sou, independentemente de minhas origens ou do olhar das pessoas que dizem me conhecer. Quero que o Caminho e eu encontremos juntos as soluções para meus "conflitos", mesmo se o conflito for somente o que fazer com o peso excessivo da mochila.

Caminhar hoje está sendo um grande esforço. Me passa pela cabeça a idéia que terei que caminhar, pelo menos, até encontrar um albergue para pernoitar. Este pensamento me dá uma sensação de desgosto. Embora eu saiba que os albergues são muito interessantes para passar a noite e para encontrar outros peregrinos com quem trocar experiências do Caminho, a idéia de passar TODAS as noites de meu Caminho em albergues lotados de gente me dá uma certa náusea. Gostaria de viver também algumas aventuras diferentes: dormir pelo menos uma vez sozinha na natureza, encontrar gente com quem fazer fogueiras, caminhar em noites de lua cheia, coisas assim.... Resolvo pedir então à Vida que me ajude a conquistar estes pequenos sonhos.

Passo por um trecho de campo onde parei para descansar com Vandi no dia anterior. Resolvo sentar ali mais uma vez para relaxar meus ombros doloridos. Sobre um monte de feno vejo então um raminho de flores. Vou olhar de perto e descubro, junto com o raminho, um bilhetinho de Vandi no qual ele escreve: "Feliz aniversário, Peregrina!." Fico emocionada com a gentileza de meu primeiro amigo do Caminho e seguro entre as mãos o raminho de flores do campo. Daqui a treze dias será meu aniversário. Onde estarei então?

Caminho e caminho. Chego, enfim, à praça de um minúsculo vilarejo. Estou toda molhada de suor e bastante cansada. Tiro a mochila dos ombros e olho um pouco chateada para ela. Alongo bem meus braços e minhas pernas. Bebo abundantemente da água da fonte, que é uma verdadeira benção após o esforço. Resolvo me sentar um pouco no banquinho. Distraidamente brinco com o raminho de flores, observo um casal de namorados ao longe, admiro os campos banhados pela luz do sol. Embora faça sol, a brisa é fria e o suor em minhas costas se torna gelado.

De repente vejo chegar um incrível personagem que parece saído dos livros de estórias da Idade Média. É um jovem barbudo que tem uma faixa na testa, calças curtas e uma pequena mochila de couro. Ele vem até a fonte com um passo vigoroso e ao lado dele, um pastor alemão que igualmente leva uma mochilinha nas costas! A imagem dele, de certa maneira, me diverte e resolvo puxar um papo. Pergunto em espanhol:

- Hola! Você também é peregrino?

Ao que ele responde afirmativamente num espanhol muito precário, no qual reconheço um forte sotaque francês. Sigo logo com a conversa em francês e pergunto a ele de onde ele vem e como ele chama o cachorro que está com ele..Eu entendo que o cachorro se chama "Cent Pas" ou seja "Cem Passos" . Ele me explica que o nome do cachorro se escreve "Sampa" mas que logicamente ele pode ser entendido como "Cem Passos". O jovem se apresenta:

- Meu nome é Pierrot. Quer dizer, meu nome de andarilho é este. Faz cinco anos que viajo pelas montanhas da França, a pé, e Sampa é meu companheiro de viagem.

Pierrot me explica então um pouco de sua incrível vida. Me conta como já caminhou durante duríssimos invernos e procurou abrigo em casinhas abandonadas na montanha. Me conta como seu sonho sempre foi viver na natureza, à margem da sociedade e como é belo e duro viver este sonho.

Ele me mostra uma bonita flauta de madeira.

- Com esta flauta paro às vezes nos vilarejos e toco para os passantes. Assim consigo o dinheiro necessário para seguir viagem. Às vezes faço acrobacias, declamo poemas, trabalho com artesanato. Às vezes simplesmente mendigo.

- Quer dizer que você faz o Caminho sem dinheiro? - pergunto espantada.

- É preciso ter fé, não desesperar, que as coisas já acontecem, ele me diz.

Por um segundo me vem à mente a passagem bíblica lida na infância: "O Senhor é meu Pastor e nada me faltará." Com um pouco de vergonha penso que perto dele sou uma pessoa rica, com meu dinheiro de uma semana de trabalho. Ao mesmo tempo, me sinto super feliz de encontrar alguém assim. Digo a ele, meio sem graça, que esta é minha primeira viagem a pé. Ele balança a cabeça afirmativamente. Obviamente, ele já notou que sou "marinheira de primeira viagem". Ele examina minha mochila com um olhar crítico.

- Posso te dar uma opinião?

- Eu sei, minha mochila está pesada demais. É estranho, eu passei pela frente do correio ao sair de Pamplona e não aproveitei para me liberar do peso.

- Escuta, vou te fazer uma proposta. Claro que você pode recusar. Se você quiser, nos sentamos ali na porta da igrejinha e tiramos tudo de dentro da tua mochila. Depois eu te ajudo a descobrir o que é desnecessário. Confie em mim, tenho realmente muita experiência em arrumar mochilas. - ele me diz isto e me olha de forma simpática. Sei que confio nele e no entanto hesito um pouco.

- E as coisas que forem "desnecessárias", que faremos com elas?

- Não tenha medo de se desapegar das coisas que te pesam. Vamos deixá-las simplesmente na porta da igreja, como oferenda para os próximos peregrinos que passarem. Cada um que passar poderá encontrar algo que lhe servirá. Quantas vezes em minhas andanças encontrei, por exemplo, um pulôver, num momento que estava morrendo de frio, ou uma camiseta quando a minha já estava rasgada! Quem encontrar tuas coisas ficará super agradecido. E quanto a você, não se preocupe, tudo o que você deixar sem medo você encontrará em dobro ou em triplo mais tarde. Não serão exatamente as mesmas coisas, porém será tudo aquilo que te for necessário.

Sinto que faz sentido aquilo que Pierrot está me dizendo. Fico contente por não ter mandado minhas coisas pelo correio. Assim, eu farei algo pelo Caminho, que já anda fazendo tanto por mim.

Vamos então para a frente da igreja e começa o longo processo de tirar as coisas da mochila e "examiná-las". "Descubro" o pacote de absorventes, as meias-calcinhas-camisetas-shorts "extras" que acabei trazendo por medo que não fossem suficientes, duas fitas que eu adoro, e no entanto nem tenho "walk-man" para escutá-las! Dois livros, uma agenda.... E os cremes! Um creme para limpar, outro para hidratar o rosto, um para o corpo, filtro solar e shampoo.

Pierrot examina tudo com atenção, levanta cada coisa por sua vez e me pergunta, me ajudando a reconhecer:

- Disto você precisa? E os absorventes, você precisa do pacote inteiro? E os cremes? Não bastaria um filtro solar para tudo? Os sabonetes? Um seria suficiente para o corpo e para a roupa. As fitas, você vai mesmo escutá-las? E duas peças de cada roupa são mais que suficientes. Olha, vamos usar este compartimento da frente para colocar a comida e a faca, pois você precisa ter acesso fácil a estas coisas. Quanto ao saco de dormir, vou te ensinar a dobrá-lo para que ocupe menos espaço. Os suéteres é bom levar. Sei que não é divertido passar frio e, além disso, pode ser perigoso para a saúde. E a saúde é o mais importante para conseguir seguir caminho.

Acabamos! Ao nosso lado, na porta da igreja, um pequeno monte de coisas que já não são mais minhas. Olho para elas mais uma vez. Não foi fácil deixar algumas delas. E eu que pensei que era desapegada das coisas materiais! Me levanto, decidida. Pego a mochila que já está pronta.

- Uau!!! Ela está muito mais leve! Muito obrigada, Pierrot!

- É normal ajudar, afinal estamos todos no mesmo caminho, ele responde um pouco tímido.

- E como você faz para passar as noites? Suponho que animais sejam proibidos nos refúgios.

- De fato são. É simples: Sampa e eu dormimos nos bosques ao lado dos vilarejos. Armo uma proteção contra a chuva e o sereno com ramos e pedaços de madeira que encontro e uma lona que levo comigo. Faço então uma pequena fogueirinha para nos esquentar, preparar um café e algo quente para comer. É muito bonito!

Olho para ele com alegria.

- Pierrot, não te incomodaria se eu te acompanhasse um dia para ver como você faz?

- De jeito nenhum! Muitas pessoas já me acompanharam por algumas horas ou alguns dias!

Lado a lado, Sampa , Pierrot e eu recomeçamos a caminhar.

Estamos ao lado de Puente La Reina e começa a anoitecer. Por isso, Pierrot escolheu este bosque para passarmos a noite embora ele diga que não é o lugar ideal, pois ouvimos os carros daqui. Mesmo assim, ele encontrou aqui todo o necessário para montar o abrigo para a noite.

Começa a chover fininho. Estamos um pouco molhados mas não me importo.

Pierrot me mosta como fazer a fogueira. Como colocar as pedras em círculo para que o fogo não se alastre. Ele diz que é importante que eu faça uma vez meu próprio círculo, pois é um ato mágico. Ele me mostra os gravetos com os quais iniciar a fogueira e os ramos maiores que podem ser utilizados para queimar por mais tempo.

- Quando os andarilhos se encontram nas montanhas da França, ele diz, fazem fogueiras à noite, juntam toda a comida que têm e tocam música. É como se fosse uma grande família.

Penso que há algo de melancólico no olhar de Pierrot. Ao mesmo tempo que sua vida é muito rica é também bastante dura e solitária. Ele continua:

- Nestas noites é necessário que alguém vigie a fogueira para que ela não se apague. Há sempre uma pessoa que se identifica com esta tarefa e toma conta do fogo.

Ele fala isto e me dou conta que durante todo o tempo estou olhando para o fogo e jogando raminhos nele. E me lembro que, desde criança, o fogo sempre teve um efeito hipnótico para mim. Sempre gostei de brincar com velas e sentir o calor do fogo. A luz das velas me parece mágica, inebriante. Sorrio. Isto me faz pensar que também em minhas relações sempre busquei, de todas as maneiras, manter o "fogo" da paixão aceso. Sempre acreditei no "fogo", embora todas as pessoas me dissessem que ele é passageiro. Acho que isto é, como diz Pierrot em relação à fogueira, uma "tarefa" , um trabalho, uma arte. As pessoas acham que a paixão é uma dádiva do acaso ou dos céus e que não têm o mínimo controle sobre ela e nem nenhuma responsabilidade em relação a seu aparecimento. Assim, acabam por perdê-la, sem se dar conta que têm que lutar por ela, ACREDITAR nela. Trata-se de um trabalho que pede muita criatividade. Somente quando sentimos PAIXÃO, quando conseguimos conscientemente despertar este sentimento em nós, cada dia pode ser diferente do outro. É necessário alimentar o fogo, como a fogueira precisa ser alimentada para arder. Sei que isto é uma arte que quero aprender.

"Desperto" de minhas divagações enquanto Pierrot prepara, numa pequena frigideira, algo de saboroso para comer. Para celebrarmos minha primeira noite no bosque comprei: pão, queijo, tomates, sardinhas. Temos também cerveja de aperitivo e vinho para o "jantar" . Comemos e conversamos. A noite no bosque é silenciosa e misteriosa.

Começa a chover mais forte e nos colocamos os três debaixo do abrigo. Nos enfiamos dentro dos sacos de dormir. Pierrot acende uma vela ao nosso lado e puxa um caderno de sua mochila. Ele abre o caderno para mim e vejo desenhos de incríveis paisagens pelas quais ele já passou. Ele lê suas aventuras, seus dias tristes e seus dias felizes. Pouco depois ele se cala e observamos as sombras que se movem com a luz da vela. Pierrot diz:

- Há em uma das cidades pelas quais passei viajando, uma menina que amo muito. Quando nos conhecemos nosso amor foi algo de imensamente belo e puro. Creio que voltarei lá para tentar encontrá-la de novo. Talvez eu tenha que parar de viajar um tempo para ficar com ela.

Ele olha a noite sonhadoramente. Sinto que no fundo ele gostaria que ela também quisesse viver viajando como ele. Silenciosamente desejo isto para ele.

Traduzo para Pierrot um pouco de meu diário, um caderno negro que decidi que seria "mágico" quando o comprei na única papelaria do hoje tão distante vilarejo onde vivo no Brasil.

Minha voz se perde na noite e pouco a pouco ficamos em silêncio. Pierrot apaga a vela e adormece em seguida. Fico ainda observando a escuridão por um tempo, deixando lentamente a sensação do sono se misturar à percepção da noite. Cada um com seus sonhos e suas esperanças, somos como crianças no bosque escuro da vida.

Abro os olhos e vejo o verde das árvores, o céu aberto e claro da manhã. Pierrot dorme de um a lado, Sampa do outro. Como me sinto bem! Gostei muito de conhecer um pouco da vida de Pierrot. Talvez eu passe mais um dia com ele.

Sei que o Caminho de Pierrot é diferente do meu. Enquanto ele busca um distanciamento da civilização e almeja estar mais tempo na natureza, eu, por minha vez, sinto que meu Caminho é viver em ambos os mundos. Meu Caminho é conhecer e observar diferentes mundos, conciliá-los dentro de mim. Sinto como um grande presente da vida poder conhecer Pierrot; admiro a liberdade e a força que ele

tem.

Pierrot acorda. Ele se levanta, se espreguiça e oferece um grande sorriso de bom dia. Lentamente, ele junta gravetos para reacender a fogueira e preparar um café. Sinto um intenso bem estar. Em volta de nós escutamos apenas a presença das árvores e o canto dos pássaros. Pierrot me entrega alguns textos e começa a tocar uma suave melodia com sua flauta. Entre os textos há várias canções, algumas escritas por ele mesmo. Leio uma estória que é bastante simples e que, curiosamente, me toca muito.

Trata-se de uma espécie de conto de fadas que, depois, resumo em meu diário:

A estória começa em um reino de grande beleza, onde vivem um rei e uma rainha, cujas grandes virtudes são a bondade e a justiça. O amor que eles compartilham e a felicidade da qual desfrutam os leva a ter um filho, que eles educam com toda atenção.

Quando este filho cresce os pais pedem a ele que viaje para fora do reino. O jovem se vê invadido por incompreensão e um forte temor. Ele teme não poder suportar a falta que sentirá dos pais e do lar.

Os pais explicam a ele que esta viagem se faz necessária, pois muitas pessoas que vivem além das fronteiras do reino não conhecem a felicidade da qual ele gozou desde seu nascimento. Eles demonstram ao filho a importância de comunicar às pessoas sobre a existência do reino e da harmonia que se vive ali, mesmo que para isto o rapaz tenha que correr o risco que não acreditem nele.

Assustado com a dificuldade da tarefa, porém não querendo decepcionar os pais, o menino pergunta como fazer para que tenham fé em suas palavras. Eles lhe explicam que a única maneira de levá-los a crer é TRANSFORMAR CORAÇÕES. Aqueles que tiverem os corações transformados poderão por sua vez transformar os corações dos outros. Somente aqueles que SENTIREM diferente poderão conhecer o Reino e a felicidade que se vive ali.

Acabo de ler o texto. Somente agora percebo que Pierrot continua tocando. Sinto novamente fortes ondas de emoção me invadindo. Começo a chorar feito uma menina. Pierrot pára de tocar, preocupado.

- Eu não queria te fazer chorar, me desculpe.

Tenho que sorrir entre as lágrimas:

- Estou chorando mas estou feliz! Obrigada por tudo Pierrot. Sinto coisas estranhas. Sinto como se os acontecimentos quisessem se comunicar comigo. Na verdade, acho que estou com tudo à flor da pele.

Ele sorri, se levanta e começamos a juntar as coisas para iniciar o novo dia de caminhada.